O Museu do Cerrado lançou a exposição virtual “Guardiãs do Cerrado: apanhadoras(es) de sempre-vivas”, dedicada à valorização dos saberes, modos de vida e práticas tradicionais das comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas da porção meridional da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais.
A exposição apresenta ao público a riqueza cultural, ambiental e social desses povos tradicionais, cuja principal atividade é a panha das flores sempre-vivas, realizada em áreas de campos rupestres do Cerrado. Mais do que uma fonte de renda, essa prática representa um importante elemento de identidade, pertencimento e reprodução sociocultural das comunidades.
Além das flores, as famílias manejam botões, cipós, capa de coco, folhas, sementes, frutos secos, plantas nativas, medicinais e alimentares, madeiras, fibras e óleos, demonstrando um profundo conhecimento sobre a biodiversidade local. Uma mesma família pode manejar dezenas de espécies, revelando a complexidade e a importância dos saberes tradicionais para a conservação dos recursos naturais.
O sistema agrícola das comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas recebeu reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura — FAO, como o primeiro Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial no Brasil, conhecido pela sigla GIAHS. Esse reconhecimento reforça a relevância das práticas tradicionais para a conservação da biodiversidade, dos recursos genéticos e do patrimônio cultural associado ao Cerrado e à Serra do Espinhaço.
O lançamento da exposição contou com a participação de Rosângela Corrêa, diretora-geral do Museu do Cerrado; Tatinha, da Coordenação da CODECEX; e Luciano Dayrell, fotógrafo e cineasta, que contribui para o registro e a difusão da história, da imagem e da memória dessas comunidades.
A exposição virtual é uma oportunidade para conhecer mais sobre a trajetória, a resistência e a sabedoria das apanhadoras e dos apanhadores de flores sempre-vivas, verdadeiras guardiãs e guardiões do Cerrado.
Acesse a exposição no Museu do Cerrado, por meio da plataforma Google Arts & Culture:









