Diamantina está na Etapa Nacional da 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, uma das mais importantes premiações brasileiras dedicadas à preservação e à salvaguarda do patrimônio cultural.
O município será representado pela Feira Cultural Saberes e Sabores Sempre-vivas, ação apresentada pela Prefeitura Municipal de Diamantina e incluída na relação definitiva das iniciativas classificadas para a etapa nacional do prêmio, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan.
A Feira tem como referência central as comunidades tradicionais apanhadoras de flores sempre-vivas, seus modos de vida, sua relação com o território e os conhecimentos transmitidos entre gerações. Mais que um evento de comercialização, a iniciativa constitui um espaço de encontro, visibilidade e valorização das pessoas que mantêm vivo um dos patrimônios mais importantes da Serra do Espinhaço.
O Sistema Agrícola Tradicional das Comunidades Apanhadoras de Flores Sempre-vivas é registrado como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais e reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura — FAO/ONU — como Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial.
Esse reconhecimento internacional contempla um modo de vida construído pelas comunidades a partir do conhecimento profundo dos campos rupestres, do manejo sustentável da biodiversidade, da tradicional panha das flores e da utilização de plantas nativas para diferentes finalidades. São práticas fundamentais para a reprodução cultural, a geração de renda, a identidade comunitária e a conservação do Cerrado.
É nesse contexto que a Feira Cultural Saberes e Sabores Sempre-vivas ganha força e significado. A iniciativa amplia a presença das comunidades nos espaços públicos, aproxima seus produtos e conhecimentos da população e contribui para que o patrimônio cultural seja reconhecido não apenas como memória, mas também como fonte de dignidade, trabalho, renda e permanência nos territórios.
A proposta dialoga diretamente com o tema da edição de 2026 do prêmio, “Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda”, que reconhece ações relacionadas à valorização de ofícios, às atividades criativas e às formas justas de comercialização e remuneração.
A classificação nacional representa o reconhecimento de uma política construída a partir do patrimônio vivo e, sobretudo, das pessoas que o guardam, praticam e transmitem. Ao chegar a essa etapa, Diamantina ajuda a projetar nacionalmente a luta, a resistência e a riqueza cultural das comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas.
É a força dessas comunidades, de seus territórios e de seus modos de vida que coloca Diamantina na etapa nacional. Um patrimônio que floresce na Serra do Espinhaço e agora ganha ainda mais visibilidade em todo o Brasil.









